3.11.04

Transito

Com o ar condicionado ligado, ele ouvia blues no cd, e acompanhava a bateria batendo com os dedos no volante. Tentava esquecer que estava preso em um engarrafamento, e que levaria horas até conseguir chegar em casa.

Seu dia não tinha sido bom. Reunião no começo da manhã, uma discução com o sócio, um almoço com possíveis clientes, que não decidiam o que realmente queriam. Sua tarde não havia sido agradável também. O gerente do banco ligou, relatando que a conta corrente havia entrado no vermelho. Saiu no horário de costume, mas, por causa de um acidente, seu caminho para casa estava interrompido.

Olhou para a fila enorme de carros, e sabia que tão cedo não sairia do lugar. Tirou o paletó, afroxou a gravata, e sabia que não podia fazer mais nada.

Dez minutos depois, o carro a sua frente andou. E voltou a parar. Ele ergueu o corpo para tentar enxergar o que estava acontecendo. E a fila se estendia por centenas de metros.

A fila ao seu lado andou. Lembrou-se de uma das leis de Murphy.

Um carro parou ao seu lado. Uma mulher dirigia. Parecia concentrada em algo. Ele a achou bonita, talvez até demais para um cara como ele. Ela olhou para ele, talvez sentindo que estava sendo observada. E sorriu.

Ele ficou vermelho, e virou o rosto para a frente. E sorriu para si mesmo.