25.12.04

Promessas

"Escritos na beira da Lagoa" especial de Natal.

Não sabia se começava um conto ou uma crônica. Se inventava uma ficção sobre o que eu sinto ou um relato das ficções que eu vivo. Um texto sobre aquilo que se passa na minha mente, e que me ajudasse a sisualizar o que se passa no meu coração.

Mas eu me lembrei que hoje é um dia de se lembrar do que foi feito durante um ano inteiro, ponderar as escolhas acrtadas ou erradas. A promessas para o que deve se feito é em outra data.


Para mim, foi um ano complicado. De se pensar mais nos erros, pois não tive muitos acertos. Mas foi um ano de descobrimento, onde eu pude olhar para dentro da minha alma, e enxergar quem eu sou , e o quanto eu mudei.

Mesmo sendo um ano complicado, cheio de erros, há acertos a serem lembrados. Um deles foi me permitir lembrar que eu tenho algo a ser dito. E deixar os outros ouvirem. Nesta inspiração, eu criei um lugar num mundo irreal, onde as pessoas, principalmente as importantes, pudessem entrar e olhar os olhos do mundo como eu os vejo.

E descobri que isso era bom. Como retorno e incentivo, ouvi elas falarem que aquilo que eu fazia era algo bom, que ao final de cada texto, que era único em minha mente, eram tomadas por uma sensação de leveza de espirito, e que passavam a ver como se sentiam bem.

Foi um ano para descobrir aque lugar eu pertenso. De se estar longe de casa, e mesmo assim se sentir acolhido. De se estar em qualquer lugar e poder chamar de lar, ou de achar que se estava em casa, num lar, mas se descobrir com o coração apertado, querendo fugir.

Foram 358 dias para separar o certo daquilo que se achava certo. Dias em que o sentimento de ser vitima da situação deu lugar ao ato de enxergar que o único culpado é aquele que machuca a sim mesmo.

Parar de culpar os outros para descobrir que ninguém é culpado. Perdoar os outros, e perdoar a si mesmo. De poder ouvir de alguém importante, a pessoa que te colocou no mundo, um "eu te amo sincero", e saber que é reciproco, porque parou de culpa-la pelos erros que não eram dela.

E, também foi um ano para formular novas promessas de ano novo, que, como em todos os outros, não foram cumpridas.

20.12.04

Expressão

Outra da série "Escritos na beira da Lagoa"

Se eu pudesse te dizer tudo que eu gostaria, meu coração sairia da prisão que eu tenho imposto a ele, de pensar em ti todos os dias, como numa foto impressa atrás de meus olhos. Na minha juventude, minhas palavras teriam enchido todos os volumes de uma biblioteca, em redundâncias de paixão, amor, saudade e desejo.

Numa inocência que findaria com o passar da areia através da ampulheta,minha mente está mais lúcida, mas meu sentimento não diminuiu. Sua fotografia ganhou cores e movimento. Agiora lembro da tua voz, do teu cheiro, da maciez da tua pele.

A forma como enxergo se revelou mais pura, desapropriada dos dogmas dos outros tempos. Agora, eu posso dizer todo o sentimento que tenho com uma frase, nada mais.

13.12.04

Pistas

Mas uma da série "Escritos na beira da Lagoa".

Preciso de alguém que saiba ver nos meus olhos minhas palavras não ditas. Que saiba respeitar meu silêncio, de pensamentos profundos e conexos. E queira conjurar minhas palavras em meio ao barulho do irracional.

Não busco ninguém, não estou incompleto. Mas sei que alguém ao meu lado traria a tona o meu espirito humano, escondido nas sombras da vaidade, sem perceber que o tempo se torna menor, como areia se esvaindo entre meus dedos.

Meus olhos estão cegos para a proximidade. Não reconheço quem me ama, e por isso vivo no abandono da minha própria existência. Quero apenas precisar de alguém, merecusar a continuar recusando quem se aproxima.

Máscara

Da série "Escritos na beira da Lagoa", no período em que fiz meu pequeno retiro espiritual de dois meses e meio, longe da civilização reconhecidamente normal. Desde viagens malucas até textos contemplativos.

Escondido pela máscara das sombras, eu vago entre as névoas da solidão, envolto em palavras de agonia, morimbundo pelo crepusculo da vida alheia.

Não quero o que me dão, e recuso as sobras da virtude dos outros. Meu desejo é o recomeço, uma outra chance de errar. Mas erros diferentes, desta vez.

3.12.04

Prelúdio

As ondas batiam nos meus pés, num movimento, inconstante incorporado pelo vento, soprando levemente. Eu ainda estava lá. O tempo passou sem ser notado, eu não queria mais ir para casa. Lá era a minha casa agora.

Deixei tudo para trás, sem pensar nas consequências. Fiz escolhas que agora não tinham mais volta. Ter os olhos numa praia era tudo que eu precisava.

Tendo vislumbrar meu futuro como quando olho para as ondas. Espero que não seja tão salgado quanto as águas, e que a tempestade renove meu espírito. Eu não sou uma gaivota, que voa sobre as águas até encontrar o peixe, e volta para o ar, num espírito de liberdade. Eu sou o peixe, que nada para o fundo, fugindo do pássaro que o caça, se escondendo na escuridão do mar revolto.

Mas, meus pensamentos rebuscados apenas buscam a resposta que eu ainda não encontrei. Na minha memória, apenas uma palavra navega. Ela tem muitos nomes, e muitos significados. Talvez eu queria todos para mim. Mas devo começar com um.

Escolho primeiro a Liberdade.