30.3.05

Caçada

Ela empunhava apenas um arco. Envolvida em meio à floresta, espreitava sob as folhas, em busca de movimento. Os sons da floresta invadiam seus ouvidos. Pássaros cantando, o riacho murmurando, o vento açoitando os galhos.

O cervo moveu-se adiante, correndo entre os troncos, pressentindo seus caçador. Suas patas moviam-se energicamente, evitando pedras e buracos. Orelhas para trás, captando sons ao seu redor. O coração batia em frenesi, o deixando atento.

Os reflexos a empurraram para a frente, fazendo-a correr na direção do animal. Não sentia as pernas, flutuava pelo caminho, tão rápido quanto podia. Retirou uma flexa da aljava, retesou a corda e parou de correr. Sua respiração se acalmou no mesmo instante. Não pensava em nada, uma mente vazia, os olhos acompanhando a presa.

O cervo parou, parecia saber seu destino. Olhou nos olhos da caçadora.

Ela puxou a corda mais um pouco. Viu os olhos do animal olhando os seus. Aprontou-se para atirar, e exitou ao deixar a flecha ir.

A flecha voou como uma águia em meio às árvores, perdendo distância entre predador e presa. E acertou um tronco, centímetros no animal, que saiu correndo, sem antes dar uma ultima olhada para seu predador, com um olhar de agradecimento.

28.3.05

Olhos Negros

Ela atravessou o corredor, com pressa. Parou na porta, e hesitou. Pensamentos perdidos no espaço, observando ao seu redor. Sentou-se, sozinha, ao canto. Uma aura de solidão emanava, em ecos que chegavam até seu exterior, e tirava o brilho de seus olhos.

Esperou pelo resto da madrugada, num olhar fixo para o nada, e quem quer que fosse, não apareceu. Ela levantou-se com o brilho do sol no horizonte. Seus olhos negros refletiam o vermelho da luz, e seus passos continuaram hesitantes, numa direção indefinida, até o outro lado de sua alma.